13 de Julho de 2009
Provavelmente zudan em 7/13/2009 02:06:00 AM 0 comentários
Acusam-me de mágoa e desalento,
como se toda a pena dos meus versos
não fosse carne vossa, homens dispersos,
e a minha dor a tua, meu pensamento.
Hei-de cantar-vos a beleza um dia,
quando a luz que não nego abrir o escuro
da noite que me cerca como um muro,
e chegares a teus reinos, alegria.
Entretanto, deixai que me não cale:
até que o muro fenda, a treva estale,
seja a tristeza o vinho da vingança.
A minha voz de morte é a voz da luta:
se quem confia a própria dor perscruta,
maior glória tem em ter esperança.
Carlos de Oliveira,
in 'Mãe Pobre'
Provavelmente zudan em 7/13/2009 12:11:00 AM 0 comentários
12 de Julho de 2009
Livro de Horas
Aqui, diante de mim,
Eu, pecador, me confesso
De ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
Que vão em leme da nau
Nesta deriva em que vou.
Me confesso
Possesso
Das virtudes teologais,
Que são três,
E dos pecados mortais
Que são sete,
Quando a terra não repete
Que são mais.
Me confesso
O dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas
E das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
Andanças
Do mesmo todo.
Me confesso de ser charco
E luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
Que atira setas acima
E abaixo da minha altura.
Me confesso de ser tudo
Que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
Desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.
Me confesso de ser Homem.
De ser o anjo caído
Do tal céu que Deus governa;
De ser o monstro saído
Do buraco mais fundo da caverna.
Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
Para dizer que sou eu
Aqui, diante de mim!
Miguel Torga
Provavelmente zudan em 7/12/2009 01:31:00 AM 0 comentários
Etiquetas: Poemas
11 de Julho de 2009
Provavelmente zudan em 7/11/2009 01:58:00 AM 0 comentários
Etiquetas: modern life
10 de Julho de 2009

Alguém fez mais um aniversário.
Eu fechado no meu apartamento. Em reclusão.
Ele, o aniversariante, estava lá fora.
Ao calor e à chuva que não caía.
...
Ele nunca gostou de festas nestas alturas.
A timidez tomada na exposição de outrora e as brechas da vida, curtiram um Homem,
calado, reservado, introspectivo e nestas datas, profundamente infeliz.
Sei que tenta festejar o aniversário, mas nem se lembrou que era a sua data.
Passou o dia à espera. De nada. De tudo.
Da gota de chuva que pudesse molhar-lhe a alma.
...
Cá dentro, o telefone tocou inúmeras vezes. Vozes de carinho e de respeito pelo aniversariante que estava no lado de fora.
Atendi por ele. Respondi que não se encontrava o homem da festa.
Aqui apenas estava eu. Fechado. recolhido por estas paredes já sem cheiro.
Se fosse eu a fazer anos –pensei- teria adorado as inúmeras chamadas telefónicas e mensagens...
Sinal de qualquer coisa... Vi que muita gente gostava dele. (Não de mim...)
Desassossegavam-se com a ausência do Homem do aniversário. (Não comigo...)
Afinal, ele, lá fora à espera da chuva neste dia de calor, não sabia que fazia anos...
Incólume ali estava, olhando para o céu.
Abstraído. Como se o sonho lhe caísse nos braços a qualquer momento.
Eu aqui, isolado entre quatro paredes... apenas sei que vou ficar mais dias, aqui, fechado...
Queria fazer anos hoje...
Queria muito trazer o aniversariante para dentro deste apartamento... vazio.
Juntos beberíamos um copo.
Brindávamos a todos os aniversários do mundo.
Mas ele não quis entrar. Acho que não sabe que faz anos...
Pode ser que no Natal já venha cá para dentro... – Entretanto... vou continuar a olhar para ele da minha janela.
Só a olhar para ele...
Um dia virá para dentro... ou sairei eu para o pé dele.
Provavelmente zudan em 7/10/2009 10:10:00 PM 0 comentários
Etiquetas: Me
3 de Julho de 2009
29 de Junho de 2009
17 de Junho de 2009
16 de Junho de 2009
A morte nunca me assustou.
Talvez por a vida ser isso mesmo. Vida e morte.
Falo apenas da minha... sobre a dos outros...
... Um dia vou saber viver com isso.
Um dia vou saber gerir a tristeza e a alegria.
Saber quando sorrir e quando chorar nos momentos exactos.
Saber fazer tudo como esperam...
...
Faleceu mais um dos meus “velhos”.
Desapareceu mais um bocado da infância que me talhou.
Mais um momento de pesar, mas sobretudo para pensar...
O Manel faleceu sem ver o mar.
É verdade Manel. Nunca viste o mar.
Conhecias aquele teu largo e a ribeira como ninguém...
Milhares de vezes ali viste o por do sol, depois de dares de comer ao gado.
Sabias de cor o percurso que um dia fiz para te ir comprar “provisórios”
enquanto cosias as botas que calçavam meia vila.
também me fizeste umas.
Com cardas e protectores, para fazer barulho e deslizar no átrio da igreja riscando o chão encerado.
Fazia-me feliz...
...
- Não viste nada. - diziam as carpideiras.
Não é verdade Manel.
Apenas nunca viste o mar. É a única coisa que me arrependo por ti.
Sei que em vida, nunca entraste em cemitérios...
...eu entrei duas ou três vezes... sempre fugi de funerais... para dor de muita gente...
Não sei lidar com a morte. Não sei fazer lutos.
Um dia vou saber...
Vou saber...
Ontem soube descer-te à terra.
Segurei nas cordas com os outros homens e com os braços a tremer..
Enquanto segurava as cordas... molhei-te o caixão...
Com sal...
com um bocadinho de mar Manel...
Provavelmente zudan em 6/16/2009 11:59:00 PM 0 comentários
25 de Maio de 2009
15 de Maio de 2009
As coisas que tão facilmente esquecemos...
As coisas que tão facilmente nos recordamos.
Hoje vou dar um beijo aos meus pais.
Só hoje.
Amanhã já me esqueci outra vez...
...eles não me esquecem.
Como eu não te esqueço...
por um segundo...
Coquita do pai.
Provavelmente zudan em 5/15/2009 02:50:00 PM 0 comentários
3 de Maio de 2009
2 de Maio de 2009
Another night...
White.
Dark.
Night.
...Nothing.
No hope.
...
Lost everything…
Lost my faith…
Lost me.
Provavelmente zudan em 5/02/2009 07:38:00 AM 0 comentários
1 de Maio de 2009
Honour.
Respect.
Courage.
Freedom.
Truth.
Justice.
Just to have anything to die for.
And no.
Faith and Love don´t exist on my list...
anymore.
Provavelmente zudan em 5/01/2009 04:06:00 AM 0 comentários
30 de Abril de 2009
Little voices...
Aguenta...
Afinal é para sofrer que foste feito.
Para andar de cabeça perdida
a pensar no que (ainda) poderias fazer.
No que poderias ter feito.
No que erraste.
Nada existe para além da razão.
Nem a fé.
Nem o coração.
Não chegas,
É para sofrer que foste feito.
...
e essa é a tua missão.
Provavelmente zudan em 4/30/2009 05:31:00 AM 0 comentários
25 de Abril de 2009
1 de Abril de 2009
Provavelmente zudan em 4/01/2009 03:47:00 PM 0 comentários



