10 de janeiro de 2005

Engraçado.
Pensei que um dia mudaria o mundo... sonharia a meu belo prazer com as desgraças resolvidas e revolvidas nos espíritos menos imponentes.
A frase “ não deixes que ninguém venha a ti sem sair melhor e mais feliz” foi a minha contenda.
Naquele mundo de super heróis e pensamentos corajosos, gania-se pela raiva provocada pela injustiça.
Naquele mundo não se estava sentado, embrenhado entre o choro e o desespero de quem precisava... de ajuda.
Naquela guerra, ficaria desperto, empregaria termos de alegria ao invés da angústia que me atormenta... e o nada não seria a palavra dos pesadelos.
O nada pertenceria à terra dos sonhos... tal qual como aquele homem cantava naquela telefonia, afogado numa garrafa de qualquer coisa.
Engraçado.
Esperei, que um dia fosse mais um... da parte apta e que movimenta a roda. Que tentasse transmitir algo e... que não fosse apenas... mais um....
Sonhava em ser o contentamento daquelas gargalhadas inconsoláveis... e que elas não bradassem ao seu dono... pois de tamanha inocência, sabia que era apenas... assim.
Era como cuspir as palavras para uma folha.
Necessitam de ser expelidas. A caneta dá-lhes forma e a folha entranha-as... bem ou mal. São assim. Puras. Cuspidas.
Naquele campo de esperança, apenas se queria crescer. Desejava-se a altura e a vontade. Jurava-se a sangue que não desencardia. Sangue com cor de terra e cheiro de sal.
Engraçado.
Como o presente gritou pelo passado do sonho, e aquele argumento de um qualquer filme de segunda categoria, me desloca de novo para a idade onde pensei que mudaria o mundo... e sonharia a meu belo prazer.
Aquele pequeno vilão das nêsperas, sonhava um amanhã para outros tantos pequenos vilões... de nêsperas.
A meninice nunca tocariam na marginalidade.
Nenhum ficava para trás. Nenhum era apanhado sozinho.
...
- Fujam malta, vêm aí o homem...- gritava o vigia do alto da parede esfolada e esbatida pelo sol.
De dedos lívidos e joelhos rasgados do cal das paredes, esgatinhavam os muros, e corriam com um sorriso nos lábios e as camisolas mascaradas de sacos... cheias de nêsperas.
Era o gozo da apanha. De contenda em contenda iam-se despindo as árvores nespereiras do "velho da casa";
O gozo da corrida à frente de alguém que até sorria com os cachos de putos pendurados nas àrvores...
Acho que chegamos a ser observados do interior daquela oitava quadrícula de vidro partida... sei que ele esteve lá.
Mas nunca lhe cheguei a saber o nome.
Mas que eram boas, ... as nêsperas, lá isso eram.
...
Engraçado.
Hoje, apenas conto os capítulos, sem saber quando o epílogo virá.
E espero que a história se imobilize. Mal extinta. Mal contada. Antes que a raiva me esventre e a solidão me acompanhe.
Sou o bafejar de um episódio que ainda não sei porque não acabou... daquele livro desorganizado e por escrever.
...
Os vilões de nêsperas, esses...
Engraçado.
... ainda estão à espera para crescer.

2 comentários:

Anónimo disse...

Engraçado,
este sentir que alguem nos entende e conhece, com prosa que toca e nos relembra o próprio sentir.

(de um vilão de nêsperas, que se regozija no teu ler, e que no fundo, espera nunca ter que crescer)

LAPAM

Anónimo disse...

Tá visto: vais receber um convite; ora lê laí: